vidaMedo
No escuro nada se vê. Nada se gosta. No escuro tudo tem sombra. Tudo tem medo. No escuro nada se toca.
vidaNo escuro nada se vê. Nada se gosta. No escuro tudo tem sombra. Tudo tem medo. No escuro nada se toca.
FilhosOlho no espelho e me vejo. Pipa, peão, rolimã. Olho no espelho e brinco com o tempo. Bola de gude, avião, catavento. Olho no espelho e namoro. Bem-te-vi, beija-flor, bicicleta. Olho nos olhos de mim e vejo o quanto de chão já percorri. Pés cansados, cabelo branco, rugas no rosto, emoção que dá gosto. Me olho no espelho e me chamo de velho. Velho amigo. Mergulho no espelho e encontro a criança que fui um dia. * Inspirado no livro “O menino no espelho”, de Fe
vidaDeixa nascer o sol. Amanhecer estrelas. Rascunho de poesia na areia. Bem-me-viu. Bem-querer. Bem-viver. O que você vai ser quando crescer? Derrama vida da janela. Sinfonia de aquarela. Repousa Deus nos olhos meus. Quando amanhecer, vai ser. Beija-flor. Rainha em Angra dos Reis. Safári no fundo do mar. Travessia longínqua de amor. Ah, se eu pudesse voltar no tempo… Nasceria tudo outra vez.
Amor– “Hoje foi duro levantar da cama.” – “Cama, mesa e banho.” – “Tudo bem?” – “Zen. Ando meditando.” – “Uma falta de assunto danado.” – “Tô correndo atrás.” – “Ganhou uma rasteira.” – “Ri da minha barriga doer.” – “Quando é que vai nascer?” Parece conversa de doido mas é uma pista de cooper. Diálogos entrecortados, cruzados, arfantes, logo que a vida diz bom dia. Casais caminhando colados, de mãos dadas. Vizinhos ofegantes. Pai e filha. Bengala e sorriso. Namorados. Futuros
vidaCoisa mais fora de moda essa tal de tristeza. Hoje em dia o chique é ter depressão, se afundar dez palmos abaixo do chão, cair de cama, fazer greve de fome. Tristeza a gente sente e pronto. De uma simplicidade que dispensa prontuário médico, bula de remédio, maca ou motivo. Sem maiores explicações ela chega e se instala calada, fazendo barulho no coração. Sem ser convidada ela chega de mansinho, sem alarde ou alarme, sem o charme que a alegria tem. Apenas entra, fica, adormece e se
TrabalhoBrigadeiro, ele e ela, olho de sogra, bem-casado, sinfonia de chocolate, pão de mel, amor em pedaços. O blog faz 6 anos e você faz de conta que este post é uma festa. Aceita uma palavra, uma estrofe, rima ou poesia? Cadinho de afeto, emoção, refúgio, reflexão? Sirva-se à vontade. Expresse o que vai aí no coração. Pausa para olhar pra dentro, aconchegar o tempo, acender velas. O blog faz 6 anos e você faz parte. Sua presença é um presente desde sempre. Muito obrigada.
FilhosEla é apenas uma criança. Sem entender, sem merecer, sem paz, sem infância. Assustada. Triste. Recuada. Refugiada na aridez da guerra e da dor. Sem teto, sem casa, sem chão, sem refúgio. Ela é Hudea, uma menina síria de 4 anos. Ele é Osman, fotógrafo turco, autor da imagem que comoveu o mundo através da sua lente de telefoto. Atravessando o medo, obedecendo ao conflito, a criança confundiu a câmera com o cano de uma arma. Habituada à violência, à ameaça, ao terror e à falta, ela
AmorAs luzes se acenderam. O letreiro subiu. O lenço encharcou. Saí do cinema mas o filme não saiu de dentro de mim. “A Teoria de tudo” coloca em prática a temática que nos acompanha desde sempre: o tempo, este inexorável e (nem sempre) tenro senhor. Que horas são? O que você fez hoje? E ontem? Como tem passado? Quando nasceu? Quando morrerá? O que fará nos próximos meses, anos, décadas a fio? Vazio. Páginas em branco para você preencher como quiser, puder e sonhar. Não tão simples assim
AmorEle cresceu mas continuou com medo de escuro. Onde se lê “escuro” leia-se exame de rua, homossexualidade velada, entrevista de emprego, hipocondria. E assim ele cresceu, enxergando monstros na maçaneta e fantasmas disfarçados de cortina. Faz sol lá fora mas dentro dele neva. Berra. Céu frio, nublado, concerto fúnebre, auge da hipotermia. Tantos convites, coloridos cenários, dentro dele goteira: um fio de coragem desbotada. Se ao menos pudesse voar. Visitar um outro planeta. Se a
vida“Penso, logo existo.” Hesito. Complico. Devaneio. Desisto. Com todo o respeito, Descartes, existir é pouco para uma mente pensante. Abundante. Falante. Ultimamente as cabeças têm doído de tanto pensar, sou testemunha. Além de todos os neurônios, circuitos e sinapses que já agitam tanto a massa cinzenta; além de todas os números, senhas, registros, listinhas e memórias; além de todas as palavras, frases e vírgulas nem sempre postas que fabricam nosso pensamento acelerado; além de tudo, tanto
FamíliaEra uma vez um homem cheio de ideias na cabeça e sonhos no coração. Riscando do dicionário a palavra “impossível”, pôs-se a desenhar ratinhos, esquilos, patos, princesas, fadas e castelos. Seus rascunhos ganharam asas e voaram pelo mundo, enchendo de brilho os nossos olhos. Ah, Walt Disney, como eu gostaria de ter te conhecido. Assentar-me à mesa com você em um almoço de domingo e cantar “Be my guest, be my guest!…”. Que prazer seria recebê-lo em minha casa e ficar horas ouvindo a s
AmorNum período histórico em que meninos hebreus tinham por decreto que morrer logo ao nascer, um bebê foi salvo. Aconchegado em uma cesta de junco, o pequeno Moisés foi enviado por sua mãe pelas águas do Rio Nilo. A história é bíblica, faz parte do Antigo Testamento e foi parar nas telas do cinema. “Êxodo – Deuses e Reis” – é uma superprodução, envolvente do início ao fim, duas horas e meia que não vi passar. O menino que foi salvo retribuiu gentilmente o seu destino, libertando os hebreus