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Artigos em vida

BotoxMulheres

Botox

A mãe dela morreu. Assim que ouviu a notícia, chorou compulsivamente, fez uma ligação rápida e saiu cantando pneu. Em cinco minutos estava no salão de beleza, se desmanchando diante do espelho. Quem via a cena se perguntava se o problema era por causa da tinta ou do corte. [Corta]. ******************************************* Manhã de sol, piscina da academia cheia, aula de hidroginástica. Colocou o maiô e a touca de banho amarela, estampa de florzinha. Do alto dos seus 80 anos, ainda tinh

21 de abr. de 2012Ler mais →
Aceitaçãovida

Aceitação

  Aceita um café? Cineminha no final da tarde? Baile de formatura? Aceita um elogio, moça bonita? Trabalhar numa pousada em Tiradentes? Balinha pra adoçar a vida? Aceita esse moço como seu legítimo esposo? Quem sabe um cadinho de bolo? E quando o tempo fechar, aceita um pouco de chuva? Céu cinzento, lamento. Ombro amigo, plantão 24 horas. Rugas de expressão, aceita? Incompatibilidade de gênio, sim ou não? Briga de irmão. Silêncio e sermão. A vida é assim, desculpe a franqueza. Mas também é

3 de abr. de 2012Ler mais →
Presentevida

Presente

Não, você não está sozinho. Não é o único a colecionar traumas de infância, espinhas de adolescente, medos de gente grande. Se olhar pra trás vai enxergar um tanto de coisa. Seus fantasmas, seus tesouros, seu baú cheio de pó e cadeado. Mas a vida pede cadência, meu amigo. Pede que se olhe pra frente, cabeça erguida, um passinho por favor. O sol já nasceu e morreu um trilhão de vezes, a água que passou naquele rio não passa mais, só se faz 50 anos uma vez. O que é que você está faz

23 de mar. de 2012Ler mais →
HerançaFamília

Herança

Basta olhar pra trás e lembrar de onde veio. Tá no sangue, tá na veia. Pedaços infinitos de história, encontros, ancestralidade inteira abrindo caminho para você chegar. Chegou, seja bem-vindo. Chegou e já se vai. Parte partido de tanto amar. Paris, Cuba, Cuiabá. Se a busca é por ser inteiro, não foge a juntar os pedaços. Trabalho de poeta, jardineiro, parteira, cozinheiro. Páginas arrancadas, palavras orquestradas, Mudas silenciando a fertilidade da dor. E nasce um sonho, um me

16 de mar. de 2012Ler mais →
MergulhoAmor

Mergulho

A resposta pra tudo? Amar. Do jeito que se aprendeu a rimar até mesmo o que não tem rima. Sina, sino, sinto em mim a força e a brandura que chega do mar. Vento, areia, tempestade. Brisa, asfalto, poema ensolarado. Lua cheia, minguante, sereia. Serei eu o único a desejar não parar jamais de amar? Verbo intransitivo, dissílabo, oxítono. Acentua o amor que dá sentido à vida. Eu amo, tu amas, ele ama. Amar em primeira, segunda e terceira pessoa, singular e tão plural. Conjugação de

4 de mar. de 2012Ler mais →
Medo de aviãovida

Medo de avião

No último final de semana tivemos a alegria, o privilégio de passar bons momentos ao lado de adoráveis amigos em Escarpas do Lago. À noite, entre queijos e vinhos, risos e uma lua que foi nascendo majestosamente, sem pedir licença, começamos espontaneamente a sessão de “causos”. A anfitriã, cirurgiã pediátrica de mão-cheia, cheia de luz e uma simplicidade encantadora, compartilhou conosco seu medo de avião. (Aliás, medo comum de gente grande na contemporaneidade. Enquanto as crianças disputa

17 de fev. de 2012Ler mais →
Valentevida

Valente

Um problema é sempre um problema. Agudo, crônico, universal, particular, persistente, acompanhado de uma boa caixa de analgésicos de preferência. A lista de problemas é infindável, pra lá de problemática, passando pelos territórios do amor, saúde, dinheiro, profissão. Quando é saúde então, aí é que nos deparamos com a imensa fragilidade da vida, e de tudo o que muitas vezes não temos controle. Como diz a expressão popular, “quando se tem saúde se tem tudo. O resto a gente corre atrás.” Prob

10 de fev. de 2012Ler mais →
Pêsamesvida

Pêsames

O sol que me desculpe, mas não tinha o direito de se levantar cedo, como que de costume. Não tinha que se levantar. Falo do escuro que se faz quando a vida se vai. Penumbra, negritude, completa escuridão. Nem pó de estrela, nem vela ou lanterna pra iluminar o dia que acordou no luto. No susto. Alguém morreu e paradoxalmente a vida segue lá fora. Ônibus circulam, carros soltam fumaça, pulmões choram a falta de ar. Falta. Ausência. Salta essa parte ruim da história. Sai fornada de p

2 de fev. de 2012Ler mais →
"Românticos Anônimos"Amor

"Românticos Anônimos"

“Românticos Anônimos” é um filme simplesmente delicioso. Fui outro dia sozinha e ontem rolou um irresistível “Vale a pena ver de novo” com o Dé, que confirmou a cada risada o sabor de um enredo cheio de graça e leveza. Sem falar do tanto de França que adentra pela alma da gente, seja pelas ruas, pelo outono, pelo sotaque e pelo chocolate (sim, ainda por cima tem uma fábrica de chocolate pra gente sair do cinema salivando – mesmo não sendo suíço). Em plena era de “pegação”, socialização, expl

24 de jan. de 2012Ler mais →
Conversas de eleva-dorAmor

Conversas de eleva-dor

Entro no elevador junto de uma simpática senhora de cabelos brancos, se queixando (sem lamúrias ou lamentações, mas com um largo sorriso no rosto) das suas “cadeiras”. Reforço: – Ah, hoje em dia tá todo mundo “descadeirado”!… (Risos.) – Ah, não, minha filha, você ainda está muito nova… Já eu, do alto dos meus 84 anos… – 84?! Não parece!… – É o que todo mundo diz, mas já colhi 84 primaveras… Pergunto, brincando: – Ah, não, me conta: qual o creminho que a senhora usa à noite? – Creminh

18 de jan. de 2012Ler mais →
Forçavida

Força

Há de haver força quando desmorona tudo. Quando falta o ar, a luz, o amanhecer. Quando uma vida inteira de sonhos é interditada e vai ao chão. Há de haver força quando o começo vira fim, o tudo vira nada, a luta vira luto. Há de chorar, sofrer, doer, virar pelo avesso de tanta dor. Há de abrir os olhos, enxergar o estrago, pisar descalço nos destroços, ferir a alma. Há de ter pesadelo acordado, dor de realidade, medo de cada gota de verdade. Há de ouvir os gritos da vida. Escutar

14 de jan. de 2012Ler mais →
Emoções não tiram fériasFamília

Emoções não tiram férias

Cenário: uma sanduicheria no litoral capixaba no primeiro dia do ano. Personagens: pai, mãe e uma filha de aproximadamente cinco anos. Drama: filha chorando, mãe quase chorando, pai calado. *************************************************** Em uma mesa um pouco atrás, entre ketchups, batatas palha e risos de família, fui tendo a minha atenção desviada para aquela cena. Do jeito que a criança chorava e do jeito que a mãe ia ficando comovida, ao mesmo tempo em que tentava conversar com ela

2 de jan. de 2012Ler mais →