vidaMal-humor
Limão capeta. Sorriso morto. Ovo virado. Osso. Birra. Tromba. Fome. Nuvem negra. Cão chupando manga. O mal-humor contamina. Emburrece. Petrifica. Tira todo o sabor. Xô.
vidaLimão capeta. Sorriso morto. Ovo virado. Osso. Birra. Tromba. Fome. Nuvem negra. Cão chupando manga. O mal-humor contamina. Emburrece. Petrifica. Tira todo o sabor. Xô.
Amor“O medo de amar é não arriscar…” Foi com essa música do Beto Guedes na cabeça que conversei quarta-feira com uma repórter do MGTV (http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1333294-7823-PSICOLOGA+DA+CONSELHOS+PARA+QUEM+TEM+MEDO+DE+AMAR,00.html). O tema da matéria – Medo de Amar – rendeu uma boa horinha de papo e reflexão, e confirmou algumas coisinhas importantes: 1) Amor rima com dor. (Por mais paradoxal que isso possa parecer.) 2) Tenho ouvido com frequência a palavra medo. Me
FamíliaMinha vó morreu quando eu tinha quatro anos. Cresci sem entender a ausência daquela que enchia a minha vida de luz, presença e rima. Para a idade que tinha, me lembro de muita coisa: do chinelo azul cinco números maior, com que eu desfilava pela casa inteira; do quintal florido de hibiscos; das sextas-feiras em que ia dormir lá e ela deixava o meu avô para adormecer comigo – ela na cama e eu na bicama. (Até que um dia acordei e a cama estava vazia – ela havia ido ao médico para tratar do câ
FilhosLéo na hora do almoço: – Mãe, tenho que fazer uma pesquisa sobre profissão. – Que que é “pofissão”, mãe? – Bella entrando na conversa. – Profissão é o meu trabalho, filha. – “Pofessora”? – Isso mesmo! E psicóloga também. – Que que é “cóloga”, mãe? – É alguém que ajuda as pessoas, escuta seus problemas… – Que que é problema? ………………………… Ah, minha filha, nem queira saber. Vai brincar, vai. Vai viver sua alegria encantadora, seus ursos de pelúcia, sua dança e sua rima. Vai viver sua
TrabalhoPara homenagear o Dia do Psicólogo, a Assessoria de Imprensa da Estácio me pediu para escrever um artigo com o tema acima. Resolvi homenagear o cliente – aquele que procura um consultório de psicologia não por loucura (até porque o louco não tem discernimento para procurar ajuda), mas por necessidade, vontade, angústia, dor que não pára de doer. Dói a solidão, o medo, o trabalho incessante. Dói a desilusão amorosa, a falta de emprego, a ausência dos pais. Dói estar consigo mesmo e se deparar c
FilhosQuando se tem filhos, esse comentário é ouvido inúmeras, repetidas vezes: “Nossa, como ele/ela cresceu!… O tempo voa, né?” É. E cada vez que eu ouvia isso em relação ao Léo, não conseguia esconder meu desejo secreto: “Ai, dá vontade de congelar!…” Pois então. De tanto espalhar essa frase aos quatro ventos, um dia fui chamada na escola. A professora me disse, delicadamente: – Parece que o Léo não quer crescer. Trabalhem mais a autonomia dele, deixem ele fazer as coisas sozinho… Toin-oin-oin-oin-
FilhosHoje tá doendo tudo lá em casa. Tem dor de barriga, dor de dente, dor de pé, dor de cabeça, dor de sono, dor de tudo e mais alguma coisa. Estou ensinando o Léo a estudar pras provas. Dói cada vez que ele abre o livro.
vidaOnde é que foi parar o brilho dos seus olhos? Sua força para escalar montanhas e atravessar rios gelados? Sua energia de criança, onde é que foi parar? Só quer cama. Chão. Sombra. Lado de dentro. Não responde. Não vê graça. Não quer mais brincar. Em que armário trancado se escondeu a sua alma? Quem é que sequestrou seus sonhos? Suas lembranças tão cheias de vida. Suas estrofes de poesia. Pede ajuda pra São Longuinho. Dá três pulinhos. Põe sua roupa mais bonita. Tem muita vida lá f
FilhosAprendi a gostar de cachorro com a minha irmã Tatiana. Veterinária de mão cheia, especialista em ultrassonografia, acabou me dando três sobrinhos de estimação: Pipoca, Nick e Nina. Apesar de paparicar igualmente os três, confesso minha predileção pela Pipoca: uma Bassê preta com olhos de gente, desses olhos de ternura e lealdade que matam a gente. O Léo – bobo que não é – também já percebeu isso, e ontem soltou mais uma das suas. Foi dormir na casa da minha mãe, junto com a “Ta Tati” e os
vidaUm dia, enfim, ela resolveu amar de novo. Juntou os cacos, molhou a terra, transformou rascunho em poesia. Fazia sol lá fora. Fazia sol lá dentro. A música já não era desafinada. O choro já não doía tanto. Abriu a porta, estranhou a claridade, esperou o trem passar. Deu bom dia ao vizinho, riu sozinha, deu o ar da graça. Há muito tempo não se sentia assim, tão inteira. Limpa, sem poeira, sem eira nem beira. Decretado o fim do luto, o recomeço da vida, a continuidade de sua existência. E vei
FilhosOntem eu passei uma tarde agradável na Praça da Liberdade, participando de uma gravação para o MGTV (http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1314691-7823-DIA+DOS+PAIS+DEVE+SERVIR+PARA+COMEMORAR+A+PRESENCA+DELES+NA+VIDA+DOS+FILHOS,00.html. ) O tema? Dia dos Pais. O enfoque? A cumplicidade entre pais e filhos. Como diz o velho ditado, “não basta ser pai. Tem que participar.” E aí a repórter queria saber se essa participação vem aumentando nos últimos tempos. Se a cumplicidade hoje
FilhosApesar de já ter trocado de empregada uma centena de vezes (ô carma difícil, sô), dei a sorte de encontrar dois anjos que praticamente viraram parte da família: a Selma (Selminha, “Titia”), que ficou comigo oito anos e teve que voltar pra roça; e a Celma, com C, que veio pra quebrar o galho e acabou plantando um jardim inteiro. Foi babá da Bella, virou nossa passadeira e duas vezes por semana é recebida com o maior carinho do mundo. Ontem o Léo soltou essa com ela: – Celma, você nunca – NUNCA