Palavras abraçam. Aproximam. Acolhem. Fazem do silêncio ponte, do coração tradução, da dor um caminho.

Renata Feldman faz das palavras matéria-prima. Seu trabalho é feito de escuta, acolhida, interação, escrita.

Seja no refúgio da psicologia clínica, nos livros publicados ou posts aqui do blog, palavra é preciosidade.

Entre, aconchegue-se e fique à vontade. É uma alegria dividir este espaço com você.

Flor decorativa
Mulheres

Mulheres

05 October, 2012

“Não se nasce mulher, torna-se mulher.”
É de Simone de Beauvoir a célebre frase que tantas mulheres – feministas ou não, famosas ou não, carregam na alma e no olhar.
Dê a estas mulheres um espelho e ali estará toda a sua poesia em movimento – olhos, cílios, boca, seios, jogo de pernas, salto alto, cintura. (Muito jogo de cintura.)
Dê a estas mulheres um divã e ali estará sua vida inteira em paralisia ou movimento – suas escolhas, seus medos, vontades, desejos, delírios, alucinações mais cheias de lucidez.
Sua menina já foi dormir faz tempo. Virou Bela Adormecida esquecida num castelo no meio da floresta. Esquecida pelo príncipe, que lembrou que ele mesmo não existe. Carregada no colo pela mulher, embalada pelas lembranças do que um dia foi. Foi, já não é.
Dê a estas mulheres um homem de verdade e ali estará sua alma, sua carne, seu corpo, sua mente.
Mente quem diz que já se nasce mulher. Nasce a menininha linda, dengo da tia, xodó da vovó. Torna-se mulher com o tornar dos dias, noites, anos a fio. Nasce a primeira espinha, o primeiro amor, a primeira dor. Torna-se mulher quem se apropria de si, com todos os arranhões que a vida traz. Torna-se mulher quem diz tudo com o olhar, sem códigos ou legendas. Quem vai pra cama sem dormir com os anjos. Quem toma à frente sem fazer revolução. Quem atravessa o deserto sem pedir colo. Quem faz dos rascunhos poesia. Quem faz de um perfume sua autoria.
Torna-se mulher quem sabe amar por inteiro
sem nunca ter feito um curso de amor no exterior.

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