
Levei meus olhos pra passear. Fui em boa companhia e ainda tive a honra de me encontrar com o Tempo. O moço tirou alguns minutos pra conversar comigo. Um dedo de prosa, como falamos aqui em Minas.
Marcou um encontro a 100 metros da praia, na Alameda da Felicidade número 6. Disse que não ia se demorar, tinha muito o que fazer. Correria.
Mas como na Bahia o Tempo costuma correr tranquilo, abriu uma garrafa de vinho (daqueles que quanto mais velho melhor), dançou e soprou velas comigo, me lembrou que a vida é um sopro. Carpe diem, não me canso de dizer.
Mandou lembranças lá de trás, assistimos a um filme chamado “Retrospectivas”, lemos juntos um livro cheio de páginas em branco, pulamos 7 ondas. “Feliz Ano Novo Particular”, gritou ele pra mim. Feliz 52, mocinha.
Me lembrou que a vida é do jeito que é. Maravilhosamente imperfeita. Feita de escolhas. De amores. De aceitação, palavra comumente esquecida mas que cai bem ao coração.
De presente de aniversário ganhei o sol, a alegria do aqui-agora, o respiro que vem das pausas, a abundância do mar, o amor embalado com laços de vida. (Presente maior não há.)
Ganhei de você uma mensagem linda, muito obrigada, faço questão de agradecer.
De volta ao trabalho ganho a emoção de uma realização sonhada desde menina. E lá vou eu, de mãos dadas com o Tempo, nem vendo o danado passar.
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